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‘Fiquei desesperada’, diz mãe que pagou R$ 800 em exames para ter diagnóstico do filho em hospital público do AP
15/05/2019

MP-AP diz ter recebido inúmeras reclamações de não realização de tomografia e ressonância magnética. Sesa esclarece que procedimentos de urgência são realizados. Eduardo Ferreira ficou internado durante 20 dias no Hospital da Criança e Adolescente (HCA) e mãe conta da dificuldade para marcar exames Liliane Pantoja Ferreira/Arquivo Pessoal A dona de casa Liliane Pantoja Ferreira, de 24 anos, acompanhou durante 20 dias o filho internado no Hospital da Criança e Adolescente (HCA), em Macapá. Com um ano e nove meses, Eduardo, portador da Síndrome de Down, chegou à unidade com pneumonia e constantes desmaios. Ele tinha que fazer três exames caros, que deveriam ser ofertado pelo hospital. Porém, após longo período de espera, os pais resolveram pedir emprestado R$ 800 para ter o diagnóstico com rapidez. “Eu fiquei desesperada porque o meu filho precisava urgente de um diagnóstico. Ele tem Síndrome de Down e eu não tenho condições financeiras. Pedi o dinheiro emprestado da minha mãe. Depois de muito tempo, e só depois de eu procurar o Ministério Público [MP-AP], o hospital fez a tomografia, mas o eletroencefalograma e a ressonância tivemos que pagar”, contou. Liliane mora no Rio Furo dos Botos, no município de Afuá (PA) e o marido dela é extrativista. Por ser mais próximo geograficamente, as unidades de saúde do Amapá recebem um número alto de pacientes das ilhas do estado vizinho, e muitos não têm amparo familiar ao chegarem na cidade. A mãe do Eduardo conta que, além da dificuldade de conseguir marcar os exames, passou muitos dias sem se alimentar porque o HCA suspendeu as refeições dos acompanhantes. “É muita humilhação. Como sou do interior, não tinha nenhum apoio. Quando meu marido conseguia algum dinheiro, ele levava comida, mas teve dias que passei com fome e ele também. Algumas vezes, outros pacientes dividiam a comida comigo e muitos ali se ajudam dessa forma”, lembra. Após conseguirem o exame em clínica particular, Eduardo recebeu alta na terça-feira (14) e a família pôde retornar para casa. Após pais pagarem exames em clínica particular, Eduardo recebeu diagnóstico e pôde voltar para casa Liliane Pantoja Ferreira/Arquivo Pessoal Com o agricultor Jorge Bentes, de 58 anos, não foi diferente. Ele reside na zona rural do município de Porto Grande, a 102 quilômetros da capital, e está com a filha internada desde o dia 1º de maio. A menina, de oito anos, caiu da bicicleta e machucou o quadril. O acidente foi em abril. Ela foi e voltou do hospital e, no início de maio, teve complicações e não conseguiu mais andar. Foi solicitada uma ressonância magnética, mas Bentes conta que a marcação do exame só veio após ele registrar reclamação no MP-AP. “Estou aqui desde o dia 3 aguardando a marcação e nada. Marcaram o exame hoje [dia 14], para o dia 16, mas tive que procurar o Ministério Público. O próprio pessoal do hospital dizia que o estado não está fazendo esse tipo de exame, que tem que enviar para a secretaria, para ser enviado para a clínica, mas a clínica só atendia se fosse via judicial. Disse a eles que se era esse o problema, então eu ia buscar meios, porque eu quero a saúde da minha filha”, relatou. Pronto Atendimento Infantil (PAI) em Macapá Rede Amazônica/Reprodução Essas são apenas duas dentre as inúmeras reclamações recebidas pela Promotoria de Saúde do MP-AP de pais de crianças internadas que não conseguem marcar os exames de ressonância magnética, tomografia computadorizada com contraste, entre outros solicitados pelos médicos. Na semana passada, o órgão realizou vistorias na Unidade de Pronto Atendimento Infantil (PAI), que funciona dentro do HCA, e constatou uma série de problemas no atendimento e na estrutura física do prédio. André Araújo, promotor de Justiça da Saúde Carlos Alberto Jr/G1 Para escutar os usuários, o órgão posicionou um ônibus na frente da unidade, para receber as reclamações de pais. Com os novos relatos da não realização de exames, o órgão deve abrir outro procedimento para solicitar soluções do governo. O promotor de Justiça André Araújo, da Promotoria da Saúde, está à frente das inspeções e demonstra preocupação com o que viu. “Os pais contaram que têm que fazer rifas, pagar do próprio bolso. E são exames caros, que custam R$ 1 mil, até R$ 3 mil, dependendo da quantidade de imagens necessárias. Descobrimos que os exames não estão sendo feitos pelo estado. O secretário de Saúde foi até o ônibus e houve uma conversa preliminar sobre esses apontamentos e esperamos retornar a debater com a secretaria alternativas para essas situações”. Unidade móvel do MP-AP ficou estacionada em frente ao PAI durante uma semana Carlos Alberto Jr/G1 Além de superlotação, falta de alimentação para acompanhantes, crianças em cadeiras pelos corredores, o promotor relatou ter identificado uma grande quantidade de crianças internadas, esperando pela realização dos exames. Para ele, essa situação deixa o paciente mais tempo do que deveria no hospital, por falta de diagnóstico. Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) esclareceu que possui contrato de credenciamento com duas empresas, sendo uma para os exames de tomografia computadorizada com contraste e outra para exames de ressonância magnética. No entanto, o contrato da empresa que presta serviço de tomografia está em fase final de prorrogação. A Sesa informou, ainda, que os exames de urgência para pacientes internados estão sendo realizados. Com relação às obras do Hospital da Criança e Adolescente (HCA), o processo para conclusão está em análise na Procuradoria-Geral do Estado do Amapá (PGE/AP). Para ler mais notícias do estado, acesse o G1 Amapá.
Fonte: G1
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